AS BICICLETAS FANTASMAS NAS ESTRADAS
O símbolo silencioso que aparece em cidades do mundo
Depois de revivermos contos que já haviam sido compartilhados nas redes sociais e iniciarmos a nova fase de histórias inéditas aqui no blog, seguimos agora com mais um capítulo dessa jornada de imaginação.
Este espaço foi criado justamente para isso: expandir os contos com mais profundidade, atmosfera e reflexão, permitindo que cada história revele detalhes que muitas vezes passam despercebidos.
AS BICICLETAS FANTASMAS NAS ESTRADAS
Se você prefere ouvir a narrativa em formato de um breve vídeo, também pode assistir à versão narrada.
👉 Clique AQUI para assistir ao conto narrado.
Hoje a história começa em um lugar muito conhecido por quem vive em Florianópolis: a SC-401. Uma estrada movimentada durante o dia… mas que, durante a madrugada, pode parecer um cenário completamente diferente.
O CONTO
Quem mora em Florianópolis conhece bem a SC-401. Durante o dia, a rodovia é tomada pelo movimento constante de carros que ligam o centro da cidade ao norte da ilha. O trânsito corre apressado, pessoas seguem seus destinos e quase ninguém presta atenção nos detalhes que ficam às margens da estrada.
Em determinados pontos da rodovia existem bicicletas pintadas completamente de branco, presas a postes ou próximas ao acostamento. Elas permanecem ali, silenciosas, como pequenas esculturas esquecidas pelo tempo.
Muitos passam por elas sem perceber. Outros diminuem a velocidade por um instante, tentando entender o motivo daquelas bicicletas estarem ali.
Durante o dia, parecem apenas um objeto curioso à beira da estrada.
Mas há quem diga que, durante a madrugada, a história parece diferente.
Certa vez, um taxista contou algo que nunca conseguiu explicar.
Ele voltava para casa depois de uma corrida. Já passava das três da manhã, e a SC-401 estava quase completamente vazia. A cidade dormia. O silêncio da madrugada envolvia a estrada, interrompido apenas pelo som constante do motor do carro e pelo vento que vinha dos manguezais ao redor.
Uma leve neblina começava a se formar sobre o asfalto.
Foi então que ele viu, bem à frente do carro, iluminada pelos faróis, uma bicicleta branca parada no meio da pista.
O taxista diminuiu a velocidade imediatamente. Pensou que talvez alguém tivesse deixado a bicicleta ali depois de algum problema ou acidente.
Mas conforme se aproximava, percebeu algo estranho.
A bicicleta não estava simplesmente parada.
O pedal se movia lentamente.
O guidão oscilava de um lado para o outro.
Como se alguém estivesse pedalando.
Mas não havia ninguém.
Por alguns segundos ele pensou que estivesse cansado demais, que sua mente estivesse pregando alguma peça depois de uma longa noite de trabalho.
Mas então algo ainda mais estranho aconteceu.
Da névoa que começava a cobrir a estrada, outras bicicletas brancas começaram a surgir.
Primeiro uma.
Depois mais duas.
Depois várias.
Elas avançavam lentamente, atravessando a rodovia em um movimento silencioso, como um cortejo antigo que atravessava a madrugada.
Algumas tinham flores presas ao guidão, já ressecadas pelo tempo.
Outras carregavam pequenas placas com nomes.
Era como se cada bicicleta representasse alguém.
Como se aquelas presenças invisíveis ainda percorressem o caminho que um dia fizeram
.
O taxista ficou imóvel dentro do carro, observando aquela cena impossível. Ele não teve coragem de buzinar ou atravessar o caminho das bicicletas. Apenas esperou.
Então, ao longe, surgiram os faróis de outro carro vindo na direção contrária.
E naquele instante, como se obedecessem a um silêncio invisível, as bicicletas começaram a desaparecer.
Uma após a outra.
Dissolvendo-se lentamente na neblina da madrugada.
Quando o outro carro finalmente passou, a estrada estava completamente vazia.
Na manhã seguinte, ainda intrigado com o que havia visto, o taxista decidiu voltar ao mesmo trecho da rodovia.
Agora era dia. O trânsito já voltava ao ritmo habitual e a SC-401 parecia exatamente como sempre.
E lá estavam elas.
As bicicletas brancas presas aos postes, imóveis, silenciosas, como simples objetos esquecidos à beira da estrada.
O taxista passou devagar por uma delas.
E foi então que percebeu algo estranho.
No asfalto, logo ao lado da bicicleta…
apareceu uma sombra.
A sombra de alguém…
pedalando...






Comentários
Postar um comentário